Gostaria de informar que o BlogView encerrou suas atividades.
Quando criei o blog, em março de 2007, minha idéia era reunir um time de blogueiros de moda para postar coletivamente, trocar idéias e dividir informações. Como todo projeto pioneiro, ele teve altos e baixos, mas cumpriu seu papel de ajudar a fortalecer a cultura blogger de moda, no Brasil.
GLAUCODIZ: Ontem fui ao dentista e resolvi folhear um NY Times que estava dando sopa por ali. Dei de cara com o suplemento de “moda e estilo”, que trazia uma interessante reportagem sobre a ausência de modelos negros nas passarelas. Segundo o jornal, dos 101 desfiles da temporada primavera-verão 2008 do NY Fashion Week, mostrados no site Style.com, mais de 30 não utilizaram um modelo negro sequer. (Raras exceções foram Diane Von Furstenberg e a marca Heatherette, do duo Richie Rich e Traver Rains, que trouxeram mais de 5 negros para seus shows).
Os três primeiros looks são de Diane Von Furstenberg; os três últimos, da Heatherette (Crédito: Style.com)
A reportagem segue contando o caso de um booker da agência Marilyn, que já recebeu solicitações de clientes com claras recomendações de “caucasians only” (apenas brancos), além de histórias de produtores de elenco. Esses afirmam que enviam as meninas para as seleções e, na maior parte das vezes, o que ouvem como resposta é que “ela é linda, mas infelizmente não é a certa para o trabalho”. Ainda, segundo os responsáveis por agenciar as moças, as negras só são escaladas quando o tema da coleção é de alguma forma relacionada à floresta, ao “jungle”.
Aqui no Brasil a história não é muito diferente. Uma rápida olhada nas fotos disponíveis por aí e a gente saca que a loirice é o que domina mesmo. Tanto que o editor da revista Vanity Fair, Michael Roberts, se surpreendeu com o “exército de meninas brancas” nas passarelas do Fashion Rio. “O Brasil deveria aproveitar mais sua diversidade”. “É uma vergonha”, declarou à agência Reuters na época.
Aqui vale fazer uma ressalva. O estilista Marcelo Sommer utilizou um casting 100% negro nos desfiles do AfroReggae, no último SPFW. Tudo a ver com uma grife que é justamente inspirada na cultura negra.
Camila Pitanga e Alexandre Herchcovitch também comentaram o assunto. Durante o SPFW, a atriz declarou que a falta de modelos negros no evento “espelha essa resistência, esse preconceito que infelizmente ainda está presente na nossa sociedade”. Já para o estilista, o problema é outro. “A oferta de modelos negros é menor”, disse à Reuters. “São as agências (de modelos) que têm que fazer um trabalho maior para recrutar mais negros, não acho que é culpa do estilista.”
Concordo com os dois. O preconceito racial está presente em todas as esferas da sociedade, nas mais diversas indústrias. Porque com a moda seria diferente? Mas, isso não significa que podemos sair por aí defendendo a idéia de que a moda é pura e simplesmente preconceituosa. Não gosta dos negros e pronto. Ela também é gerida por questões de mercado (como Alexandre aponta) e também por questões básicas do meio: não é porque a modelo é negra que ela vai entrar nesse ou naquele casting. Ela precisa, antes de tudo, ser bonita e atender aos requisitos básicos de qualquer boa profissional.
(Só) Algumas das modelos negras mais poderosas: (da esq. para dir.) Alek Wek, Liya Kebede, Emanuela de Paula e Tyra Banks
A questão, ao meu ver, está mesmo em fazer que anunciantes, donos de empresas e estilistas passem a entender que ao não colocarem mais negros em seus desfiles e anúncios, eles só estarão perdendo o poder de consumo da mulher negra. Afinal, de acordo com estimativas do Target Market News, elas gastam sozinhas mais de 20 bilhões de dólares em aparência a cada ano!
Em tempo: no meio dessa discussão toda, Naomi Campbell anunciou seus planos de abrir uma agência no Quênia dedicada exclusivamente aos modelos negros. Daí, a perguntinha podre: estaria ela realmente interessada em lutar pelos negros ou seria apenas uma estratégia de marketing feita na hora certa?
LUIGI DIZ: Antes de começar preciso pedir desculpas pelo atraso da coluna. Passei a segunda toda de ressacón do Tim Festival e cheio de coisas para entregar na faculdade. Acabou que não deu tempo de escrever sobre o Tim, como pretendia.
Melhor, porque agora achei outro tema, mais a ver com moda mesmo. É que foi publicada hoje, no jornal WWD, matéria falando sobre reinvenções de marcas. O tema é super atual e tem bastante a ver com aquele outro assunto da coluna de algumas semanas atrás, os grupos de moda (grupos gestores).
Vale a pena ler a matéria, que parece longa, mas nem é tanto, porque lá fica claro o que parece óbvio para os mais interados na indústria da moda, porém que não é tão evidente assim para os demais interessados no assunto. “Marcas, assim como as pessoas, tem ciclos”, disse Marc Gobé, co-fundador, presidente e chefe executivo da Desgrippes Gobé. “Tem a gestação, o amadurecimento, o envelhecimento e aí você deve considerar o renascimento e reinvenção. Algumas (marcas) tem dificuldades para fazer tal movimento”.
No geral o que leva uma marca à reinvenção é a perda de seu público alvo, seja porque este amadureceu (envelheceu) – e a nova geração mais jovem não se identifica com os valores da marca -, mudou, ou até mesmo desapareceu. Outro motivo pode ser a extrema competitividade no setor.
Na matéria, a jornalista Lisa Lockwood ainda dá exemplo de reinvenções bem sucedidas, como a da Dior com Galliano, Diane Von Furstenberg, Puma, Lacoste, Guess e ouras nem tanto. Também aponta marcas que precisam desesperadamente se reinventar, como é o caso da GAP.
E por aqui as tais reinvenções estão começando a ganhar mais notoriedade. A Zoomp é o exemplo mais recente, seguido pela Zappign que agora recebe direção critaiva de Maurício Iannes. A Ellus 2nd Floor também é uma marca que ganhou nova cara, sob o comando de Rita Wainer assim como muitas outras.
OLIVEROS DIZ: O premiado documentário “Inútil” (2007), teve apenas 3 sessões dentro da Retrospectiva do cineasta chinês Jia Zhang-Ke, na Mostra Internacional de Cinema. Ele revela 3 retratos de pessoas que fazem roupas e de pessoas que as consome. Um deles é sobre a estilista chinesa Ma Ke e o lançamento de sua marca em Paris. No começo do ano, a Carol Vasone do UOL foi ver este lançamento e escreveu um texto que vale a pena ler.
GLAUCODIZ: No começo do mês, entre os dias 3 e 5, rolou a 6a edição do Teen Fashion, evento de moda voltada ao público jovem. Sei que já faz um tempinho, mas até hoje ficou na minha cabeça um assunto que surgiu de uma observação da Laura Artigas, do Moda pra Ler, lá nos corredores da Cinemateca Brasileira: as meninas estão usando cada vez menos roupa e mais maquiagem.
Parece papo de senhorinha conservadora, mas ficamos impressionados ao observar a quantidade de mini-saias (minis meeeesmo!), tops, saltões e maquiagem em garotas que não tinham mais do que 13 anos. Até concordo quando dizem que, nessa fase, o adolescente é super ligado na estética, queira chamar atenção, imitar seus colegas e seus artistas favoritos. Afinal, para eles (assim como para nós) é muito importante ser aceito no grupo.
Mas, fico me perguntando onde é que esse pessoal vem buscando suas referências? A sensação que eu tenho é que para essas meninas o importante é se parecer com a Beyoncé, dançar como Shakira e se vestir como a Christina Aguilera (com bastante umbigo à mostra). E a grande preocupação delas é saber quando os pais lhes darão autorização para fazer uma tatuagem, colocar um piercing ou, quem sabe, implantes de silicone. Radical? Pode ser. Mas, vocês hão de concordar, que essa não é uma afirmação falsa.
Isso me faz lembrar de uma história que aconteceu nos tempos do colégio. Não sei direito se foi na 7ª ou 8ª série… Enfim, a diretora convocou uma reunião com pais e alunos para discutir a roupa da “molecada”. Ela defendia que aquilo ali era um colégio e não uma passarela; que as meninas pareciam competir para quem se atrevia mais no modelito; que abusavam das camisetas cortadas para deixar a barriga à mostra; e que os meninos brigavam pra ver quem ia usar a calça mais larga para deixar a cueca aparecendo. De nada adiantou. Quando ela sugeriu a adoção de uniformes, poucos pais aderiram à idéia (o que é compreensível, pois se tratava de um colégio público). E tudo continuou como era.
Isso só pra mostrar que, se naquela época, isso já era uma questão, imagina nos dias de hoje? Desde cedo essas meninas vão acreditando na idéia de que o sexy beirando ao vulgar que é o bonito. Daí talvez uma possível explicação, de outras inúmeras, da tão comentada falta de elegância ou, melhor, do excessivo apelo sexual na composição do visual da mulher brasileira (não estou generalizando, tá?). Uniforme já nessas garotas!
LUIGI DIZ: Hoje (22/10) a Fernanda Resende, do Oficina de Estilo, me perguntou se as calças jodhpur – hit deste inverno no hemisfério norte, desfiladas na coleção de inverno da Balenciaga – também servem para os meninos. Confesso que a pergunta me pegou de surpresa. Não me lembrava de ter visto nenhum homem usando tais calças recentemente, nem nenhum desfile em que elas aparecessem.
Antes de continuar vale lembrar que os jodhpurs são de origem oriental e foram usados originalmente para equitação, como ainda são, sendo uma peça originalmente masculina. O uso deste tipo de calça é bem recorrente na moda urbana e já conta com várias interpretações de diversos estilistas, tanto nacionais, como internacionais.
Isto posto, volto a pergunta que me foi feita que ficou na minha cabeça durante toda a tarde. Então resolvi ir pesquisar nos desfile masculinos para o verão 2008 se as tão faladas jodhphurs apareciam em alguma coleção. Para minha surpresa apareceram. E para ser bem sincero, onde eu menos esperava. De cara fui procurar nos desfiles de Gaultier, Galliano, Comme des Garçons, Junya Watanabe e outros estilista tidos como mais vanguardistas e menos convencionais. Porém nesses só achei calças sarouels ou dhotis (aquelas mais larginhas na coxa e ajustadas do joelho para baixo).
As jodphurs, as que eu realmente procurava só fui achar realmente na coleção da Emporio Armani, que por sinal estava cheias delas, em looks bem hi-low, combinadas e até construídas com tecidos e peças de alfaiataria. Isto acabou contribuindo para tirar o ar eqüestre excessivo que as calças podem carregar e também ajudou para dar visual mais moderno para a peça.
Então respondendo a pergunta, agora com mais embasamento: jodhpurs rolam para os meninos também.
OLIVEROS DIZ: Por ocasião do aniversário de 150 anos da Harper’s Bazaar, resolvi falar um pouco de Diana Vreeland, com certeza a mais importante editora de moda da história, simplesmente porque ela inventou esta profissão.
Reza a lenda, que Carmen Snow a viu dançando no Roof de NY com seu marido, o banqueiro Thomas Vreeland, com um vestido Chanel e teve a intuição que aquela mulher de sociedade, cheia de estilo, poderia ser uma ótima colaboradora para a Bazaar.
Carmen Snow e Diana Vreeland discutindo lay outs da HB (Walters Sanders/Time&Life)
E estava 1000% certa. Em 1936 ela começou a escrever a coluna Why Don’t You…? (Por que você não…?) onde ela dava dicas absurdas como: Porque você não lava seus cabelos claros do seu filho com o campanhe que sobrou de ontem a noite¿ Ou Porque você não usa 3 diamantes presos no cabelo como a Duquesa de Windsor?
1934: primeira coluna Why don’t you…? de Diana Vreeland
Em 1939 se tornou a primeira editora de moda do mundo. Seu estilo extravagante foi sua marca até o fim da vida. Costumava afirmar: “Sei o que elas vão usar, antes de elas usarem. O que vão comer, antes de comerem. E até mesmo para onde vão, antes mesmo de o lugar existir.”
Diana Vreeland em ação num editorial de 1941
Como toda editora de moda (do passado?) ela não era fácil: uma de suas manias era de que suas assistentes mais próximas usassem bijuterias barulhentas e enormes, com guizos, para que ela sempre soubesse quando estavam por perto. Odiava reuniões pois achava que elas eram inúteis. Dava ordens por meio de telefones e memorandos ditados às assistentes. A revista Visonaire 37 publicou uma edição especial com 150 memorando, da época que foi editora-chefe da Vogue.
Aliás, se na Bazaar ele teve seu talento reconhecido, por onde ficou por 25 anos, foi na Vogue que ela se transformou num ícone fashion. Tudo começou em 1962, quando o empresário Sam Newhouse comprou a editora Condé Nast e deu a Vogue de presente para a mulher, que exigiu a contratação de Diana para o cargo de diretora.
Ganhava um salário altíssimo, tinha um motorista para busca-la todos os dias e um crédito ilimitado para comprar as roupas que quisesse. Era realmente era uma mulher de estilo. Feia que só ela –dizem que passou mal bocados na infância e adolescência porque sua mãe e irmã judiavam dela por causa da feiúra –resolveu seu complexo quando casou com Thomas, o homem mais lindo que ela conhecera, segundo suas próprias palavras.
O que se espera da figura de uma editora de moda? Antes de mais nada, estilo. Ela criou um estilo só dela. Cabelo preto sempre no mesmo corte, preso atrás das orelhas, batons e esmaltes vermelhíssimos, da mesma cor de seu apartamento e escritório na Vogue, e sempre impecavelmente vestida.
Vermelho era a cor-paixão de Vreeland no seu ape decorado por Billy Baldwin
Segundo, que tenha um faro para o novo e Diana possuía um dom para descobrir talentos e foi responsável pelo sucesso de muitas modelos e dezenas de fotógrafos e estilistas. Twiggy, Marisa Berenson, Verushka e Lauren Hutton foram algumas de suas modelos imortalizadas em seus editoriais.Sabia reconhecer beleza de mulheres consideradas “esquisitas” como Barbra Streisand e Anjelica Huston. Seu círculo de amizade era composto de pessoas como Rudolf Nureyev, Coco Chanel, Jackie Kennedy, Andy Warhol.
D.V. em click de Andy Warhol
Antes de Diabo Veste Prada, Vreeland (dizem) foi a inspiração de uma editora de moda exigente e perfeccionista no filme francês dos anos 60, “Qui êtes-vous Polly Magoo?”. O filme é de Willian Klein, fotógrafo contratado pela Vogue na época.
Vreeland soube tirar partido de seu networking. Em 1971 sua saída da Vogue foi humilhante. Todo mundo já sabia de sua saída e comentavam por suas costas. O motivo foi que ela estourava o orçamento da revista, já que tinha equipes fotografando pelo mundo todo.
Caricatura de D.V. por David Levine
Ela deu a volta por cima no ano seguinte, graças a sua amizade com Jackie O., tornou-se consultora especial do Instituto de Vestuário do Metropolitan Museus de Nova York. De1972 até 1989, criou memoráveis exposições como a “The World of Balenciaga” (1973), “Hollywood Design” (1974), “The Glory of Russian Costume” (1976), e “Vanity Fair” (1977).
Em 1989, chegou ao fim da vida de maneira trágica. Pobre e cega na cama, recebia a visita diária do amigo André Leon Talley (editor-adjunto da Vogue América), que lia e lhe contava as novidades da cidade. Sobre a cegueira, corre a lenda de que teria comentado, sarcasticamente: “Meus olhos se cansaram de ver coisas bonitas.”
Em 1994, cinco anos após a sua morte, Diana Vreeland foi homenageada com uma exposição no mesmo museu Metropolitan em que trabalhou. Em 1996, foi a personagem principal de uma peça de teatro denominada Full Gallop, de Mark Hempton e Mary Louise Wilson, expressão com que ela respondia quando lhe perguntavam como estava - a todo vapor, dizia, mesmo em tempos mais adversos.
Cena de Full Galop com Kate Udall no papel de Vreeland em motagem de 2005
Para a nova geração vai fazer mais sentido o projeto da produtora Nina Santisi, a mesma de Unzipped (1995) sobre o estilista Isaac Mizrahi. A atriz mais cotada para o papel é Siena Miller, que vive no cinema “Factory Girl”, por coincidência conta a vida de Edie Sedgwick, que era protegida de Diana Vreeland. Para Guto Barra, da Planet Pop, quem deveria fazer o papel é Adrien Brody, que de peruca ficaria igualzinho a D.V.
Quem deveria fazer D.V. no cinema: Sienna ou Brody?
Anyway, no filme poderemos reviver as frases impagáveis da mãe de todas as diabas:
“Dinheiro ajuda a tomar café na cama. Estilo ajuda a descer uma escada” “O biquíni foi a invenção mais importante do século 20, depois da bomba atômica” “Se você não se veste bem todos os dias de sua vida, jamais estará bem vestida no sábado à noite” “A roupa não leva a lugar nenhum. É a vida que você vive nela que leva” “A modelo ideal não tem que ser perfeita, nem bela, mas sim impregnar de alma as roupas”
Vale a pena ver Vreeland em ação gritando: “Please don’t stand there!”
LAURA DIZ: A figurinista da Rede Globo Marília Carneiro assina o figurino da peça “O Baile”, em cartaz até o dia 25 de novembro no teatro Cultura Artística em São Paulo. No espetáculo ela retomou o trabalho para o teatro e a parceira com o diretor José Possi neto, colocando em prática seu vasto conhecimento em figurino de época.
Carioca e moradora da Gávea, Marília começou sua carreira como figurinista em 1973, com o filme “O homem que comprou o mundo” de Eduardo Coutinho (mais conhecido hoje pelo documentário “Edifício Máster”). “Comecei como Herchcovitch, vestindo um travesti nesse filme. Me inspirei no Coccinelle o primeiro travesti que vi na vida. Foi em Paris”, diverte-se. Logo em seguida entrou na Rede Globo a convite da atriz Dina Sfat, amiga e cliente da boutique que Marília teve nos anos 60, a Truc.
A carreira de figurinista teatral começou algum tempo depois em 1979 com “Rasga Coração”, de Oduvaldo Viana Filho. “Foi uma peça importante porque esteve proibida durante a ditadura”, relembra. Ela calcula que tenha feito cerca de 27 trabalhos para o teatro, entre os quais também destaca “Doce Deleite”, e “M. Butterfly”, essa última com o diretor de “O Baile”.
Conhecida por lançar hits de moda como a meia de lurex usada com sandália em “Dancing Days”, ou a mini-saia jeans da Darlene, em “Celebridade”, a figurinisra também prima por compor belíssimos trajes de época, como das mini-séries “Anos Rebeldes” e “A Casa das Sete Mulheres”.
“O Baile” foi inspirado no filme homônimo de 1983 dirigido pelo italiano Ettore Scola, que por sua vez foi baseado numa criação do diretor francês Jean-Claude Penchenat, do Théâtre du Campagnol. O espetáculo mostra por meio dos bailes a passagem do tempo, dos anos 50 até os dias de hoje. A música, a dança, e claro, as roupas são as personagens principais.
Por telefone, divertida e falante, Marília contou com pitadas de autobiografia como foi desenvolver os 150 looks que os 20 atores usam.
Figurino do baile dos anos 50
Como surgiu o convite para fazer “O Baile”?
A Tássia Camargo (atriz e produtora do espetáculo) me convidou e o Possi (José Possi Neto, o diretor),adorou a proposta. Eu e ele trabalhamos juntos em M.Butterfly e em um show da Zizi Possi.
Em quanto tempo o figurino ficou pronto?
Foram 3 meses. A produção alugou uma casa na Barra da Tijuca. Vivemos em comunidade. Foi uma integração muito grande que facilitou o trabalho porque entendi o corpo e a necessidade de cada ator. Fiquei um pouco nostálgica porque lembrei de uma época que pude acompanhar o Teatro de Soleil. Uma amiga integrava o grupo. Apesar de todos os anos de experiência nunca tinha trabalhado dessa maneira.
Foi uma diversão então?
Foi uma delícia! Eu tenho a idade do Baile (risos). Busquei inspiração na minha memória afetiva e nos figurinos que criei. A ajuda do Possi foi de grande valia. Ele é muito detalhista e lembrava de coisas muito específicas, como um vestido que a Celi Campelo usou ou a roupa que a Elis Regina casou, e eu corria atrás.
Você disse que buscou inspiração na sua memória afetiva. O que fazer esse figurino te recordou?
Tanta coisa… Tinha uma empregada que chorou muito quando o Getúlio morreu. Lembro de ter virado getulista na época. Minha família era super conservadora e achou aquilo um horror. Nos anos 80 foi uma auto-referência das roupas que usava… e por aí vai.
Além da sua memória afetiva onde mais você pesquisou?
O filme sobre o festival de Woodstock me ajudou muito. Também busquei no acervo de revistas da minha irmã, que era modelo. Busquei também os ídolos de cada época porque sintetizam bem o figurino.
E o filme do Ettore Scola? Foi fonte de inspiração?
Foram dois momentos com o filme. Perdi a conta de quantas vezes assisti. Deixava o DVD passando o tempo todo para me acostumar com as imagens. Depois não podia mais ver o filme e passei a buscar as referências brasileiras.
Define em uma peça ou uma palavra o figurino de cada época em “O baile”?
50´s – anágua; 60 – Courréges; 70 – Cores e barriga de fora; 80 – exagero; 90 até hoje – na peça não tem algo representativo, foram minha pirações.
Há alguma peça que faça referência explícita a algum ídolo da época?
Várias, mas cito dois casacos do baile da década de 70. Um modelo peludo que o Mick Jagger vestia aparece no Carlinhos de Jesus e o outro que o Caetano Veloso usava coloquei no José Paulo Correa.
Onde você encontrou as roupas?
A maior parte aqui em São Paulo no brechó “Minha Avó Tinha”. E o que não encontrei o dono (Franz Ambrósio), gentilíssimo, me indicou onde achar. Fui também ao Spazio Vintage na Vila Madalena. Acabou acontecendo uma coisa muito interessante também.
O que? O que? (!!!)
Descobri na garagem do (ator) Guilherme Fontes um contêiner com todos os figurinos do filme “Chatô” (que não foi concluído). Adoro o Guilherme e ele me atendeu de prontidão. Contudo, além das roupas estarem guardadas há 7 anos, o espaço havia passado por um incêndio. Na hora que abrimos foi um susto. As peças estavam danificadas. Um tintureiro cobrou uma fortuna para recuperar as roupas. Eu chorei, chorei, chorei e ele deu um desconto inacreditável. No fim foi uma homenagem ao Guilherme, que ficou muito emocionado quando viu a peça.
Os atores dançam o tempo todo, como deixá-los confortável?
Quanto às roupas não tive problema algum. Tive que repensar alguns sapatos. Não pude colocar saltos ou plataformas muito altas.
Você gosta de fazer figurino para teatro?
Quando dá certo adoro! No primeiro figurino teatral que fiz fui indicada ao prêmio Moliére.
Por que quando dá certo?
È, porque não é fácil. Primeiro porque os ensaios, em geral, são à noite e sou uma pessoa diurna (risos). Outro grande problema é a verba, em geral restrita.
”O Baile” deu certo?”
Claro. Gostei muito. As roupas são um dos pilares da peça. Às vezes penso que
o figurino poderia ter ficado mais rico, porém, estamos no Brasil. A realidade é outra. É a anti-brodway (risos).
Estudamos a história da moda com base nas tendências surgidas no exterior, principalmente na Europa. No caso do figurino do “O Baile”, tem alguma referência que você apontaria como genuinamente brasileira?
Acabei usando as referências mais emblemáticas mesmo, que vieram de fora. Porém, de maneira geral, sempre adaptamos a moda para nossa realidade. Quando a Brigite Bardot era o ícone até poderíamos imitá-la, mas ninguém era tão esguia e loira como ela, né? (risos). O que é genuinamente brasileiro é a moda praia.
Você está fazendo o figurino da próxima novela das seis, do Walter Negrão, e sua fama se fez nas novelas das 8. Já tinha feito algum trabalho para a dramaturgia nesse horário?
Fiz “Mulheres de Areia”.
O que muda?
Será uma novela de época, passada nos anos 30. Eu procurei fazer algo leve, como pede o horário. E, além disso, acho que o mundo está precisando de leveza.
Conta um pouco como foi o trabalho?
Não quis um figurino muito fiel a época. Desconstruí os anos 30. O público prefere ver um toque de atualidade.
VITOR DIZ: A Ellus foi condenada por danos morais pela Justiça de Santa Catarina a pagar R$ 500 mil pela instalação de outdoors com fotos onde exibiam um casal de modelos nus e seminus na praia. A Justiça considerou o conteúdo de forte conotação sexual.
O que vocês pensam desse caso?
GLAUCO DIZ: Semana passada o Oliveiros convidou o pessoal aqui do BlogView para um meme literário. Mesmo com certo atraso, posto a minha lista. O duro foi estabelecer um critério de seleção… Comecei a rabiscar no papel todos os livros que acho legal (vários deles já citados nos outros memes) e quando fui ver tava com uma lista enorme. Abandonei todos os critérios e acabei escolhendo esses cinco simplesmente com o coração…rs:
- Hiroshima, de John Hersey. Um dos clássicos do jornalismo literário, o livro conta sobre a bomba atômica que devastou a cidade japonesa em 1945. O mais interessante da obra é que ela dá uma visão mais humana à tragédia, optando por tratar da história de seis sobreviventes um ano após a explosão. Publicado pela revista The New Yorker, a reportagem ganhou um prêmio Pulitzer e é citado como exemplo de jornalismo bem feito. Edições modernas do livro contém um quinto capítulo final, escrito quarenta anos após o artigo original. Nele, Hersey retorna para o Japão para descobrir o que aconteceu ao longo dos anos com as seis pessoas que ele entrevistou. Meu sonho, um dia, é escrever uma reportagem tão boa quanto essa…rs.
- Babado Forte, de Erika Palomino. Quando li o livro, fiquei com vontade de ter nascido alguns anos mais cedo… Só pra ter curtido as festas, as raves e o clubes da época. O livro não é nenhum clássico da literatura, óbvio. E nem de longe se pretende a isso. Mas, é um delicioso relato da cultura jovem urbana dos anos 90: os clãs e as tribos da noite, as grifes usadas, o nascimento e a morte dos clubs, a chegada do techno ao Brasil, a radiografia dos DJs, os primeiros discos de música eletrônica brasileira. Tudo numa edição dinâmica que alterna entrevistas (com Madonna, Kate Moss, Ru Paul…), datas e glossários de gírias da noite.
- A Metamorfose, de Franz Kafka. O que me encanta nesse livro é o fato de o clímax da história vir logo de cara no primeiro capítulo, no comecinho. É uma estrutura de narração seca, difícil, que trata do absurdo (o personagem principal, Gregor, se transforma num inseto) de uma forma banal, comum. Além de sustentar horas e horas de papo sobre as inúmeras interpretações psicológicas, sociais e filosóficas, a obra me fez ver, pela primeira vez, que uma história não precisa seguir aquelas estruturinhas infernais que a gente aprende na escola.
- A Mancha Roxa, de Plínio Marcos. Na verdade, qualquer peça dele eu acho bacana. Nascido em Santos, Plínio foi traduzido, publicado e encenado em francês, espanhol, inglês e alemão; estudado em teses de sociolingüística, semiologia, psicologia da religião, dramaturgia e filosofia, em universidades do Brasil e do exterior. Recebeu os principais prêmios nacionais em todas as atividades que abraçou em teatro, cinema, televisão e literatura. A peça é apenas um exemplo de seu fascinante universo de marginalizados… Prostitutas, assaltantes, ladrões, homossexuais vivem às voltas com situações que muitas vezes não criaram, mas que se tornam, pouco a pouco, parte integrante de suas vidas. Enfim, me encanta esse “quê” underground dele.
- Fashion Now, de Terry Jones e Avril Mair. Trata-se de uma edição especial dos 25 da ediotra Taschen e conta com pequenos perfis dos 150 desginers mais importantes na opinião da revista i-D. É um super arquivo, tem imagens lindas e informações muito valiosas. Ainda não terminei de ler. Na verdade, acho que nunca vou terminar… Ele é bom mesmo pra consulta e pra se deliciar um pouco.
OFICINA DE ESTILO DIZ: A gente conversa há tempos sobre a quantidade de celebridades inseridas em contextos de moda (seja em editoriais, em capas ou em campanhas) e da sua influência pra criar desejos e gerar vendas. Celebridades (aparentemente!) geram maior identificação por carregarem personalidade e estilo de vida junto com a imagem - o consumidor final “enxerga” a roupa com mais facilidade num contexto de vida real e não precisa decodificar signos e símbolos presentes em imagens-conceito. Mas a quantidade de celebridades em semanas de moda, em primeiras filas e mesmo nas passarelas nessa última temporada geraram tanto notícia quanto as coleções em si, e a gente vê vantagens nisso (de um jeito).
OFICINA DIZ: Mario Mendes diz que existe uma foto da década de 50 em que se vê a Marlene Dietrich num desfile da Dior, “sentada espremida entre vários mortais na escadaria da maison”. As pessoas não estavam lá necessariamente pra ver a atriz - estavam lá pra ver mais uma coleção do costureiro francês, uma celebridade internacional, atraindo a atenção de todos, inclusive da Marlene em si. “É evidente que ter uma estrela vestindo suas criações sempre foi a melhor propaganda para qualquer costureiro, mas elas não eram a única razão que determinava seu sucesso. Quem inventou a primeira fila tal qual a conhecemos e a invasão das celbridades nos desfiles foi Gianni Versace, no início dos anos 1990 - e o fenômeno das supermodels veio no pacote.”
OFICINA DIZ: A gente vê muitas celebrities durante o SPFW e o Fashion Rio, mas a gente vê mais ainda nessas semanas de moda regionais, fora do eixo RJ-SP. Especialmente nessas “semanas fashion week de moda” as celebridades não só dão pinta nas primeiras filas, mas também trabalham como modelas, fazendo passarela e tudo. Mas esse tipo de celebridade acrescenta alguma coisa? Não seria super fácil a gente se identificar com celebridades que vivem mais perto da gente, frequentam os mesmo lugares e se vestem com marcas mil vezes mais acessíveis que as ‘importadas’? A gente PRECISA ter uma celebridades mais dignas; ou as stylists dessas celebrities têm que aprender a se destacar na elaboração de looks de vida real tanto quanto as figurinistas que as vestem na ficção. Que o Style fez, nessa temporada, fotos dos looks das passarelas e também dos looks da primeira fila - inspiração pra todo mundo, mais democrática e mais rápida: a gente vê/estuda o que ainda vai se usar e o que já está se usando, tudo ao mesmo tempo.
OFICINA DIZ: MM ainda completa seu pensamento dizendo que (a onda de) “misturar famosos com moda aumentou e tem sido explorada até a última gota porque, na nossa atual cultura tablóide, a moda virou ‘arroz com feijão’”. A gente concorda que todo mundo tem muito mais acesso à informação de moda (muito por causa da internerd, até) e que o assunto está disponível em várias dimensões, exposto das mais diversas maneiras. Por isso uma campanha por celebridades mais interessantes faz muito sentido (pra gente!): uma vez que desejo de moda nasce/cresce por identificação e estamos nessa ‘cultura tablóide’, não tem como dissociar celebridades e moda. E se a gente tem informação ilustrada propriamente, com imagens que fazem suspirar e inspiram (porque não?), fica mais fácil de assimilar e reproduzir na vida real. Não é?!??
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LUIGI DIZ: Não é novidade alguma dizer que a internet mudou drasticamente o modo como se comunica moda. Como as coleções, novidades e propostas para cada estação são transmitidas, o maior acesso à informações de qualidade, desfiles, imagens e por aí vai. Para nós blogueiros, a internet é, na maioria das vezes, nossa principal fonte de informação, principalmente quanto às temporadas de moda internacional.
Já é rotina de todo fashionista ou qualquer um mais interessado em moda passar no style.com, no blog da Cathy Horyn, ler as sessões de moda dos principais jornais do planeta, além de acompanhar os várias blogs especializados no assunto, que além de ganharem mais relevância, estão crescendo assustadoramente.
Momentos após os desfiles já se pode encontrar fotos dos looks apresentados, resenhas e comentários e até vídeos do show no youtube. Já está ficando comum também a própria marca disponibilizar minutos depois de seus desfile, vídeos ou fotos em suas páginas na internet.
Foi-se o tempo que só quem estava presente nas salas de desfile ficava sabendo das “novidades”. Não é mais preciso esperar meses, se quer 24h para se obter informações sobre um nova coleção.
O próprio formato desfile vem sofrendo consideráveis variações/mudanças devido a forma de como se cobre moda hoje em dia. Antes uma apresentação quase que exclusiva para compradores e clientes, com criticas no jornais totalmente voltada para a indústria. Hoje, quase que a abdicação da passarela por completo e uma apresentação em forma de vídeo, como vimos recentemente com Hussein Chalayan em parceria com o SHOWstudio.
Assim, não é de se espantar o lançamento da Internet Fashion Week. O projeto, idealizado por Panos Destanis (do site de moda alemão Modabot), tem como objetivo levar todo o conceito da uma semana de moda para um espaço virtual. De acordo com o fundador do evento, as possibilidades “conceituais, tecnológicas e estéticas” oferecidas pela internet não são suficientemente utilizadas na comunicação de moda, daí o surgimento de uma semana de moda totalmente virtual.
“No futuro, estilistas e marcas internacionais, em parceria com videomakers, fotógrafos e outros artistas, irão apresentar suas coleção para uma platéia global. A Internet Fashion Week tem como objetivo se tornar um lugar onde a informação de moda é aberta para futuros desenvolvimentos, atraindo atenção do mundo todo”, escreve Destanis no release do evento.
Só espero que eles aproveitem bem todas as oportunidades da internet para não se tornar um style.com sem desfile real, e consigam dar espaço para novos estilistas que nem sempre conseguem seu lugar ao sol nas principais semanas de moda do planeta fashion.
Eu fiquei pensando que uma das boas coisas que a revolução tecnológica trouxe a tona foi a capacidade do maior número de pessoas se comunicarem e deixarem seus papéis passivos de receptores de informação para se tornarem agentes da comunicação.
O números de redes virtuais, comunidades, blogs, começam a surtir efeitos no mercado, incluso o da moda. Vivemos mais do que nunca cercados de telas móveis: televisão, computadores, laptops e mais do que nunca, os celulares deixam de ser apenas aparelhos transmissores do padrão oral, para ser também um difusor de imagens e palavras.
O Brasil é um fenômeno de comunicação. Nosso país é o segundo nos rankings de uso de ferramentas como fotologs, orkut e blogs, apesar de todas as diferenças sociais que enfrentamos.
O mercado que sempre é muito “sensível” as mudanças de comportamento vêm há anos desenvolvendo recursos para chegar ao seu consumidor final. Marketing direto, personalização, interatividade são as palavras chaves que respondem a este processo de fragmentação social cada vez mais evidente.
Do momento que acordamos até o momento que vamos dormir, aceitamos e assumimos os mais diferentes papéis sociais. Um exemplo vago: a secretária executiva que usa tailler de dia, pode freqüentar a academia com seus leggings e shorts de lycra vibrante e ser a gatinha de microshorts e sandália alta na boate.
Os comportamentos sociais ainda tem certas regrinhas básicas, mas cada vez mais são flexíveis, dependendo do grau de socialização que você tem. Ou seja, quanto mais você freqüenta diferentes atividades sócio-culturais, mais flexibilidade na hora de se vestir e opções você terá ao seu dispor. É o que a Antropologia Cultural chama de “forma lúdica da socialização”.
As tribos de ontem, os microgrupos de hoje têm características como a flexibilidade, a mobilidade, a experiência compartilhada, o lado emocional, o sentimento de coletivo, que você revive dentro de cada grupo que você escolhe para conviver. E o melhor, sem ter que ser fiel a nenhum deles.
Já reparou na quantidade de grupos específicos existem no espaço virtual… É isso, cadavez mais o mercado da moda terá opções diversificadas para você, tipo “mulher-de-trinta-com-cara-de-vinte-e-poucos-anos-independente-sensível-urbana-que-curte-nadar-dançar-e-ficar-em-casa-de-vez-em-quando-comendo-brigadeiro-de-colher.
Duvida? Já viu a lista de “tendências” publicada pelo Alcino Leite na sua coluna “Última Moda”? Tem para todos os gostos, ocasiões e possibilidades que você procura. E isso não quer dizer, que se você decidir, em 2008, usar bolsas grandes, jeans e camiseta, estará fora de moda. É só encontrar seu grupo: eu-amo-bolsas-grandes-jeans-e-camiseta, entendeu?
TENDÊNCIAS PRIMAVERA-VERÃO 2008
Conheça algumas das principais propostas que apareceram nos desfiles das semanas de moda de Nova York, Milão e ParisCalças
Principalmente as pantalonas largonas, de bocas gigantes. A opção são os modelos justíssimos
Lingerie e pijamas
O underwear se insinuou muito nas coleções, assumindo versões chiques ou formas provocadoras
Sandálias
Baixas, tipo hippie e franciscano, ou altas, estilo gladiador, bem coloridas
Cores
Fortes, como o laranja e variações de violeta, rosa e azul; o preto como contraponto
Estampas
À vontade, mas principalmente com motivos florais e étnicos
Formas
Saias e vestidos curtos ou bem longos, evasês, fartos de tecidos e dobras -tudo confortável e vaporoso
Imagens
Foi a estação do romantismo, do superfeminino, do estilo descontraído e marcante
Transparências e franjas
Para dar leveza à silhueta e criar sutilezas e sensação de liberdade
Masculino
Tanto para detalhes (como um colete) quanto para looks totais (como a forma-smoking); ombros impositivos
Bolsas
Tamanhos médios ou pequenos. A novidade foi a bolsinha presa no calcanhar, da Chanel
Laura diz: De volta depois de um mês, o Moda pra ler retoma suas entrevistas.
Na última terça-feira a estilista Daniele Mabe deixou as portas da sua loja na Alameda Lorena aberta até mais tarde para lançar a nova coleção da marca que leva seu nome.
Novata no mundo das grifes a criadora que “abriu a loja no impulso”, comemora 5 anos de loja e de marca.
Em meio as coloridas peças de verão a empresária conversou com o Moda pra Ler e contou os desafios de construir um nome e fazer a empresa crescer.
Conta um pouco como foi o nascimento da marca?
A marca começou com a abertura da loja em 2002. Eu já trabalhava na fábrica de roupas da minha família, que produz para multimarcas populares. Sou formada em administração e comecei no administrativo, mas logo me encantei com o desenvolvimento das coleções. E em uma viagem de pesquisa para Nova Iorque surgiu a idéia de fazer uma marca.
Na ocasião o que você imaginou para marca?
Pensei como consumidora. Queria fazer básicas que não encontrava nas lojas. Peças com uma modelagem democrática e preços acessíveis.
Você começou ousada, abrindo uma loja nos jardins.
Mais que uma loja, eu queria montar uma grife. E os Jardins é o Bairro mais indicado para isso, uma vez que é onde os produtores, editores de moda e formadores de opinião circulam.
Você é formada em administração como cuidar do lado administrativo e criativo?
Hoje cuido somente da pesquisa e desenvolvimento de coleções e tenho um administrador. A parte criativa aprendi na prática, e complementando com cursos livres.
Hoje são cinco anos de marca. Quais os pontos positivos e negativos dessa trajetória?
Nesses 5 anos a marca cresceu, construí minha identidade, conquistei mercado, tenho 30 pontos de venda em todo Brasil. Porém, é um ramo difícil, o país enfrentou crises e nesses momentos as vendas caíram.
E hoje como está?
As vendas estão indo bem.
Você disse que construiu sua identidade. Qual seria a identidade da marca Daniele Mabe?
Já tive a loja cor-de-rosa romântica e hoje ela está preta e clean. Gosto de mudar, mas me mantenho fiel aos objetivos iniciais: roupas básicas, com modelagem que agrada todas as mulheres e preços acessíveis.
E ao que você atribiu o crescimento da marca?
À modelagem, que favorece as mulheres.
A marca tem planos para o mercado internacional?
Tenho muitos, mas estou começando devagar. Pela primeira vez participei de uma feira internacional. Fui a Prêt-à-Porter em Paris por meio de um programa da ABIT. Muita gente falou que não era para criar expectativas com vendas, mas fiquei feliz com o resultado. Fiz bons contatos. As peças bordadas, com um toque artesanal, sem ser folclórico, chamaram muita atenção na feira.
Você sempre faz algumas peças bordadas em suas coleções? Sim, comecei fazendo flores. Na coleção atual elegi as corujas que tinha visto muito em acessórios e gostei da idéia de colocá-la em roupas.
O que mais tem nessa coleção? Procurei me inspirar na moda esportiva. Roupas confortáveis tanto na forma quanto no caimento. Sempre trabalho muito com malha, mas também tem algodão e jersey.
Você é neta do pintor Manabu Mabe. O parentesco influenciou sua moda? Influenciou no gosto pelas artes e principalmente pelas cores. Meu avô me ensinava a de desenhar e pintar de um jeito bem didático. Foi um ótimo professor. Acho que meu gosto pela moda tem um dedinho dele.
Já pensou em fazer alguma coleção inspirada nele? Já. A responsabilidade é grande. Agora, depois de cinco anos de marca começo a me sentir segura para homenageá-lo com uma coleção. Quero fazer algo especial.
***
Memê literário: O Oliveiros propôs e aceitei o desafio de eleger os cinco livros favoritos. Na verdade não tenho livros preferidos. Acredito que dependendo da fase da vida há uma temática que será sua favorita, mas vamos lá.
1. O Espírito das Roupas – de Gilda de Melo e Souza. Depois que li esse livro passei a querer estudar moda de uma maneira mais profunda e acadêmica.
2. O Anjo Pornográfico – Ruy Castro. Adoro biografias, e o Ruy Castro é mestre no assunto. Esse texto em especial é maravilhoso porque além de relatar a intrigante vida do escritor Nelson Rodrigues, é uma pesquisa primorosa que conta a história do Brasil e do jornalismo, na época que ele era feito com paixão.
3.O Bestiário - Julio Cortazar Essa reunião de contos do autor argentino é um belo exemplar do gênero realismo fantástico. Mistura humor, análise social e fantasia.
4. Os 6 contos da Era do Jazz - F. Scott Fitzgerlad. Quem via Armação Ilimitada certamente lembra da Zelda Scott, a personagem de Andréa Beltrão é uma homenagem a mulher desse talentoso escritor norte-americano. Esse livro é uma boa amostra do estilo do autor que escrevia sem saber, em prosa, um roteiro cinematográfico.
5. A Fera na Selva – Henry James Novela primorosa. Foi dica do terapeuta. Uma história sobre o tempo que perdemos esperando as coisas acontecerem.
OFICINA DE ESTILO DIZ: Quase todo mundo tem mais coisas no guarda-roupa do que precisa, especialmente mais do que efetivamente se usa. E a gente sabe da dificuldade que é se vestir com os 20% usáveis de um guarda-roupa quando os outros 80% inúteis e encostados teimam em atrapalhar a esolha e a coordenação do look du jour. E se a gente já está em campanha pra todo mundo comprar menos e melhor, agora entramos em campanha também em favor de todo mundo abir espaço nos armários pra se enxergar melhores oportunidades.
OFICINA DIZ: Dá pra comparar a nossa relação com as roupas que precisam sair dos nossos armários com mil outras coisas que precisam sair das nossas vidas. Por identificação a comparação aqui vai ser feita com relacionamentos - mal-sucedidos, como os que temos com as roupas que só ocupam espaço sem ser usadas na vida real. Que a gente sabe que se alguém diz que ama mas está emocionalmente indisponível, então esse amor não vale, não é amor de verdade. Com roupa é a mesma coisa: a função da roupa é cobrir, transmitir uma mensagem (escolhida por quem usa, de acordo com estilo pessoal e estilo de vida e atividades e tals) e deixar quem usa mais bonito e seguro. Se a roupa não tem como cumprir alguma dessas ‘promessas’, ela não deve estar no guarda-roupa. Vestidinhos mais que lindos existem aos montes em mil lojas em volta da gente, mas a gente tem que deixá-los entrar nas nossas vidas/nos nossos armários pra que eles nos façam felizes. Esse é o espaço que precisa ser aberto, disponibilizado.
OFICINA DIZ: A parte boa é que quando a gente trata da relação com as roupas tudo tem como funcionar super mais fácil do que com relacionamentos: se a gente sabe exatamente o que esperar de uma determinada peça de roupa, só de olhar (com um olhar bem crítico e sem misericórdia!) já se sabe se essa peça deve ou não permanecer nos nossos armários (e nas nossas vidas). Se está manchada permanentemente, se rasgou ou puxou fio, se foi comprada só porque estava em liquidação, se tem bolinhas ou desgastes (de uso mesmo) que não saem mais, se não serve mais, se não é usada há mais de seis meses (isso super vale, juro!) ou se simplesmente não cai bem, então essa peça deve ir embora. Às vezes as razões pelas quais uma peça deve ser tirada (definitivamente) dos nossos guarda-roupas vêm acompanhadas de motivos subjetivos - e tem que se prestar atenção nisso: mudanças de peso, de silhueta, de trabalho, de cidade e mesmo de vida (casamento, filhos, etc). E uma boa limpeza no guarda-roupa pode aliviar pesos da vida real, não pode?
OFICINA DIZ: Quando a gente consegue abrir espaço físico no guarda-roupa, automaticamente se abre espaço mental pra organizar necessidades e prioridades e assim comprar melhor, de um jeito mais “certeiro”. E saber a hora de parar/de deixar aquela peça seguir o caminho dela (pro lixo) é fundamental. A gente só enxerga novas possibilidades, outros caminhos, novas coordenações e looks diferentes (perspectivas diferentes) quando deixa pra trás o que é velho e não acrescenta mais nada de bom - acrescentar só volume ou quantidade não adianta. “Um bom encontro é de dois”, e mesmo que a gente ame muito uma roupa, mesmo que ela seja quase essencial pra manter a gente viva, ela tem que viver com a gente o dia-a-dia, fazer valer a presença dela por perto. Senão só atrapalha. Não é?!??
LUIGI DIZ: Aconteceu neste fim de semana (6 e 7 de outubro) o primeiro Fórum Escola São Paulo de Criação e Tendências na Moda, para o inverno 2008. Sábado (06/10) assisti as exposições seguidas de debates de Paulo Borges, Maria José de Carvalho e Alexandre Herchcovitch. Muitos temas foram abordados por cada um dos convidados, como a urgência de uma política de desenvolvimento de qualidade e eficaz para moda e design, a pulverização das micro tendências em detrimento à individualização do estilo – tanto por parte do estilista, como do consumidor – e dos grupos financeiros ou gestores que recentemente começaram a tomar notoriedade no Brasil.
Os mais interessados e próximos da moda com certeza já os conhecessem. Em todo caso, são empresas privadas que passam fazer todo um planejamento de gestão para marcas geralmente com a finalidade de torná-la um grife global, explorar ao máximo seu nicho de mercado e, lógico, lucrar mais. Com certeza muitos já devem ter ouvido o nome de alguns dos principais grupos de moda (empresas gestoras) como a PPR, que possui entre outros, a Gucci, YSL e Balenciaga, a LVMH com a Louis Vuitton, Marc Jacobs, Kenzo e outras grifes – o grupo também atua em diversos outros setores do mercado de luxo - e a Premira que adquiriu recentemente o Grupo Valentino.
Aqui no Brasil, talvez o grupo mais conhecido seja a AMC Têxtil, de Santa Catarina, e o recém formado grupo Zoomp, do qual Alexandre Herchcovitch é diretor criativo.
Hoje em dia o mercado de moda tomou proporções jamais imaginadas. Muito mais que o “glamour” das semanas de moda, do que criações e fantasia, a moda é agora, antes de mais nada, um negócio. “Com grupos financeiros entrando no mundo da moda, fica cada vez mais calor que moda é negócio”, afirmou Paulo Borges.
E num mundo tão competitivo, só quem possuir um forte planejamento e gestão conseguirá ter sucesso. “É o único mio de sobreviver”, disse Alexandre Herchcovitch. E por mais cruel que seja a afirmação é a realidade. Atualmente, dificilmente uma marca nova e independente conseguirá atingir grande visibilidade sem se afiliar à um desses grupos.
Mas nem sempre esse casamento dura a vida toda. Um exemplo internacional é a marca de calçados Bruno Magli, que após ser comprada pelo grupo Opera não rendeu os lucros esperados. Outro grande problema é quando a grife adquirida tem sem diretor criativo ou estilista substituído, como foi o caso da marca Sommer aqui no Brasil. Em casos como estes, a necessidade de haver uma continuidade na identidade da marca é essencial. Coisa que não aconteceu no exemplo citado.
Manter tal identidade parece ser a preocupação principal do grupo Zoomp, que pretende adquirir algumas marcas complementares, com potencial de crescimento.
Outro fator que deve ser analisado com muito cuidado é o que tange à liberdade de criação e expressão do estilista. Muita vezes o foco excessivo nos lucros acaba pasteurizando de mais as coleções, deixando-as sem o frescor de inovações e até carência de informação de moda de qualidade.
Agora o Meme Literário
Foi me passado pelo Oliveros o convite de participar do meme literário. Como todo mundo já deve estar sabendo o tema é os cinco livros mais importantes da minha vida.
Devo confessar que entrei numa mini crise quando recebi o convite, porque sempre fui de ler mais revistas (pencas de revistas), jornais ou matérias, do que livros mesmo. Mas mesmo assim consegui fazer minha listinha:
1o O Império do Efêmero, de Gilles Lipovetski – foi o primeiro livro que li sobre moda e acho que devia ser o de todo mundo. Digo isso porque o autor vai além da roupa, do indústria e do meio da moda. Estuda todo impacto da moda na sociedade da modernidade à pós-modernidade e em diferentes áreas, além de dar um bom parâmetro sobre a história da moda.
2o Ensaio Sobre a Cegueira, José Saramago – começa que sou meio fã do autor, segundo porque o livro de um jeito bem peculiar sobre como vivemos em sociedade e de certo modo, como imagens afetam nossa vida.
3o À Sangue Frio, Trueman Capote – além de uma aula de jornalismo – ok, sem muito ética, mas ainda assim… – tem uma história incrível.
4o Raízes do Brasil, Sérgio Buarque de Holanda – indispensável para entender praticamente tudo que acontece com e na sociedade brasileira hoje.
5o Uma História Social da Mídia, Asa Briggs e Peter Burke – ótimo para entender todo o processo midiático, de sua origem até hoje.
OLIVEROS DIZ: A Biti Averbach, a up-to-dater da blogolândia, fez um convite irrestível para participar de um meme literário.
“Já no mundo nerd da blogosfera, um meme é uma espécie de corrente transmitida de blog em blog, conforme as pessoas respondem a um tema proposto e o repassam adiante“, explica Biti no seu post. Ainda bem, porque eu não sabia.
Listas são meu terror e de muita gente. E definir os critérios, então???
Meu pai sempre leu muito, e era uma imagem que tenho desde a infância, ele sempre com um livro nas mãos. Lia qualquer coisa. Fui um leitor precoce e quando era adolescente, fui muito pedante, claro. Li os clássicos da literatura numa vasta coleção que Abril Cultural lançou na década de 70. O Vitor Angelo tem esta coleção até hoje. Eu era rato de biblioteca. Fiz várias faculdades e só me formei em Arquitetura, onde tenho até Mestrado, li muito.
Depois de muito pensar, resolvi publicar uma lista de livros que de alguma forma me ajudaram a compreender melhor o mundo e as várias carreiras que segui pela vida…
Arquitetura:
Italo Calvino
1. CIDADES INVISÍVEIS de Italo Calvino. O autor italiano narra um diálogo fictício entre Marco Polo e Kublai Khan. O navegador conta para o conquistador suas viagens pelo mundo, descrevendo cidades com nome de mulheres. Nestas narrativas reconhecemos pedaços de várias cidades que conhecemos.
Na época da faculdade de Arquitetura, sempre me interessei + pelo urbanismo do que por projeto, tanto que trabalhei anos com meio ambiente nas prefeituras de Santo André e Santos. Este livro me trouxe uma noção poética sobre a cidade, que nenhum livro de arquitetura conseguiu. Trabalhar em prefeitura significava fazer muitos projetos que levam muito tempo para que aconteçam. O que eu fiz, na verdade, foi projetar cidades invisíveis…
Arte:
Leonilson por Pablo di Giulio
2. LEONILSON: SÃO TANTAS AS VERDADES, de Lisette Lagnado. Quem me conhece um pouco, sabe da minha paixão pela obra do Leonilson. Na década de 80 comecei a me interessar por artes, frequentava galerias simplesmente por prazer. Quando me deparei com uma obra dele na Luisa Strina, fiquei tão emocionado, me falava tão direto…Foi a primeira vez que eu realmente tinha visto algo em artes que me dava esta emoção.
A Lisette, que se tornou amiga anos mais tarde, é uma testemunha próxima e afetiva do artista. Com este livro pude me aprofundar e conhecer mais sobre um dos meus artistas preferidos.
Dança
Isadora Duncan
3. MINHA VIDA de Isadora Duncan. Eu desde pequeno gostava de dançar. Morria de vergonha e dançava escondido no quarto, no banheiro…adorava dançar por entres cortinas, sempre sozinho. Um dia, uma grande amiga de Santos, Mariana Servulo da Cunha me deu de presente este livro e me levou para as aulas de Klauss Viana. Minha vida inteira mudou a partir daí. Um trecho do livro:
“Dancei desde o momento em que aprendi a ficar de pé. Dancei toda a minha vida. O homem, a humanidade, o mundo inteiro precisa dançar. Assim já foi, e assim há de ser sempre. É de todo inútil haver gente que a isso se queira contrapor sem compreender que a dança é uma necessidade natural que nos foi dada pela natureza… Et voilá tout”
Eu continuo dançando até hoje.
Teatro
Fernando Arrabal
4. O ARQUITETO E O IMPERADOR DA ASSÍRIA do Fernando Arrabal. Eu fazia jornalismo em Santos e um dia fui para Campinas trabalhar com a Akiko Fujita, que fazia um trabalho monumental com cerâmica. Ela acreditava que um dia todo o mundo seria nômade, e precisaria de pousos para a jornada. Ela fazia “casas” de barro, que no final da feitura, tinha um ritual de queima durante três dias, até aquele barro com formas orgânicas se tornar uma cerâmica.
Lá conheci o pessoal do teatro e da dança da Unicamp. Era fora da época de vestibular, mas haviam vários cursos que você poderia se inscrever como aluno especial. Fiquei por lá um ano, participei como ator das peças produzidas pela primeira turma do curso, usando o nome artístico de Ricardo Lima, meu sobrenome do meio. Resolvi prestar o vestibular depois deste período.
Minha cena do teste de aptidão foi justamente o Arquiteto e o Imperador. Me lembro até hoje da cena. Era um galpão grande, com mezanino. Minha turma da Unicamp compareceu em peso para ver. Era o momento em que o Arquiteto (um selvícola) comia (literalmente) o Imperador (o personagem que sofria um naufrágio na ilha) em um banquete. Eu com uma caveira de verdade [que peguei com um amigo da Medicina] nas mãos, tomava um iogurte cremoso que saía de dentro dela. Uma alusão do líquido amniótico, que estava no texto e que seria a fonte de conhecimento humano. Neste momento o Arquiteto se transforma em Imperador. O galpão veio abaixo com a cena…
Final da história, passei no teste e zerei em química na segunda fase e não passei no vestibular. Depois prestei Arquitetura e me formei…
Moda
Roland Barthes
5. IMAGEM E MODA, Roland Barthes. Editora: Martins Fontes.
O livro “O sistema da moda”, de Roland Barthes, lançado pela Editora Nacional em 1979, está esgotado, mas a Martins Fontes lançou cinco volumes com textos do autor que estavam dispersos em revistas, jornais e outras publicações. O terceiro volume é Imagem e Moda.
Em O sistema da Moda, Barthes analisa a contribuição do discurso verbal para o sistema da moda, presente nos textos de revistas do gênero, e discute a motivação das pessoas para o consumo. O original foi escrito entre 1957 e 1963.
É o livro que acho fundamental para quem mexe com moda. Muita coisa mudou depois que o Barthes escreveu este livro, mas ainda assim, continua uma sendo uma análise que ajuda a entender as engrenagens do mundo fashion. Quando estava pensando na Viés, este foi o livro fundamental para a exposição.
GLAUCO DIZ: Gente, faz duas semanas que eu não posto nada aqui, pois estou enrolado com meu trabalho de conclusão da faculdade. Mas, para essa história não se repetir pela terceira semana seguida, passei aqui para indicar duas visitas bacanas na web.
A primeira é o site do projeto 6emeia, dos artistas Leonardo Delafuente (aka D lafuen T) e Anderson Augusto (aka SÃO). A dupla percorre a cidade pintando bueiros de um jeito bastante divertido:
A idéia do trabalho surgiu da “vontade de mudança dos bairros e da própria cidade, melhorando assim esteticamente o caminho de transeuntes e moradores, colorindo-o, alterando e propondo uma série de novas idéias”. Bom, se antes bueiro era sujo, feio e um ótimo lugar para entupir quando chovesse, na mão desses dois virou um bom suporte para a street art. Dá pra ver mais trabalhos no Fotolog e no Flickr deles.
A segunda dica é o site do designer gráfico e “poster artist”, Mike King. O cara começou a carreira desenhando pôsteres para bandas punks que tocavam nos clubes locais da cidade dele, Portland (EUA). Pelo que eu li na biografia, ele só fazia isso porque queria entrar de graça nos shows. Vinte anos depois, King elabora capas de CDs, estampas de camisetas e anúncios para bandas e cantores do naipe de Iggy Pop, Gus Gus, Ben Harper e Jack Johnson.
Seu trabalho está presente também em dois livros: Swag, de Spencer Drate e The Art of Modern Rock, de Paul Grushkin and Dennis King. No site, além de um portfólio bem generoso, tem trabalhos em edições limitadas e numeradas disponíveis para compra. Para quem curte artes gráficas, é inspirador…
LUIGI DIZ: Transmissão de pensamento com Suzzy Bubble hoje. Para quem ainda não, viu a blogueira inglesa postou hoje sobre a falta de opção de revistas de moda exclusivamente voltadas ao público masculino, e com boa qualidade e informação de moda. Que a moda masculina é quase sempre obscurecida pela moda feminina, todo mundo já sabe. Os desfiles de marcas/estilistas dedicados ao público feminino recebe muito mais atenção, inclusive da mídia especializada.
Mas agora, pare e pense: quantas revistas de moda masculina realmente boas você consegue pensar? Ok, vamos lá temos a Another Man – quase que uma versão total masculina da Another Magazine -, a Arena Homme +, a Ten Plus Men, a Fantastic Man e a super nova – que na verdade é uma volta, mais do que uma revista totalmente nova – Man About Town. Claro, temos ainda às Vogue L’Uomo, Men Vogue, Homme International. Mas quanto à estas faço minha às palavra de Suzzy Bubble: “ they do the job but with an aim of pleasing everyone so can be quite all over the place”, got it?
Agora, pare e pense de novo: a grande maioria das revistas que falei acima – pouquíssimas em relação ao que a imprensa oferece para a moda feminina – é bianual, com apenas duas edições por ano, um a de inverno e outra de verão. Não é pouco de mais? Eu digo sim. Já se falou aqui – e não foram poucas as vezes – que o masculino é o segmento que mais tem potencial de crescimento na indústria da moda. E ainda assim, é tido como algo de menor importância pela imprensa especializada – mesmo que havendo exceções. Assim fica ainda mais difícil de moda masculina alavancar como todos esperamos e prevemos.
O quadro de escassez de publicações dedicados puramente à moda masculina é ainda mais amedrontador aqui no Brasil. Como revista de moda mesmos, só consigo lembrar da Vogue Homem – alguém lembra de mais algumas? Claro, que temos outras revistas masculinas, como a VIP, que possuem seções de moda, mas ainda sim, muito caretas, sem contribuírem de fato para levar a moda masculina para a frente.